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6 de mar. de 2015

"Tivemos que importar um congresso internacional (BirthBrazil), e tivemos que importar um obstetra pesquisador Israelense que vive na Alemanha, para ele dizer aos nossos obstetras que não é para fazer episiotomia, e que o maior risco de danos perineais graves vem justamente das episiotomias. Mesmo que a apresentação dele tenha sido apoiada no trabalho de Melania Amorim e colegas... Precisamos do gringo vir aqui, para os nossos obstetras acreditarem. E capaz de ainda não terem acreditado, visse??"

Por Ana Cristina Duarte, no Facebook dela (aqui).

8 de dez. de 2014

Lacerações, parto e episiotomia

"Qualquer mulher que tenha um parto vaginal tem risco de uma laceração perineal, incluindo as chamadas lacerações graves (3º ou 4º graus). Esse é um fato incontestável. Durante anos se praticou episiotomia porque se acreditava, ainda que empiricamente, que haveria proteção do períneo contra esses desfechos, se a incisão fosse realizada (entre outros "benefícios" não comprovados da técnica).

No entanto, estudos controlados realizados desde a década de 80 até os dias de hoje vem mostrando cada vez mais que as lesões mais graves são mais frequentes quando a intervenção é realizada, e não o contrário. Em outras palavras, a episiotomia não só NÃO protegeria o períneo, como FACILITARIA a ocorrência de COMPLICAÇÕES.

Da mesma forma, o parto instrumental (fórcipe ou vácuo), quando associado à episiotomia, também resulta em lacerações mais graves.

Estatisticamente, portanto, sempre é POSSÍVEL que uma mulher tenha lacerações de graus variados durante partos vaginais, porém as lacerações mais graves estão mais frequentemente associadas às episiotomias e aos partos instrumentais.





(Por CarlaAndreucci Polido no Facebook)

28 de nov. de 2014

Sobre necessidade real indicações reais, científicas, de fazer episiotomia ou não ou deve-se ou não cortar o períneo da mulherada no parto vaginal?


Com essa discussão toda sobre estudar/ aprender episiotomia, fui fazer uma rápida busca no pub med.

Embora eu e as evidências estejamos convencidas que episiotomia de rotina deve ser abolida (1,2), e eu esteja convencida de que NUNCA (ou quase nunca) é necessária (1), há um hiato no conhecimento atual sobre em que momentos esse procedimento poderia ser necessário.

Um estudo interessante que avaliou as razões por que uma parteira faria uma episiotomia, aventou a necessidade de treino como uma das respostas (3). Não consigo entender para que um profissional deve ser treinado e realizar um procedimento que está caindo em desuso.

Alguns estudos mostram que Midwifes podem ter dificuldades em realizar suturas perineais. Que pode haver uma lacuna de conhecimento que deveria ser preenchida de técnicas cirúrgicas para sutura. Isso seria importante para garantir a continuidade do cuidado, assim, as mulheres não precisariam ser transferidas para cuidados médicos apenas para sutura (4).

Para melhorar esse conhecimento, um bom conhecimento de anatomia e de técnica de anestesia e sutura podem melhorar significativamente a capacidade de parteiras de suturarem períneos. Propõe-se algumas intervenções, como oficinas de treinamento e pacotes de treinamento (incluindo ensino à distância) (5,6).

Assim, não há necessidade de cortar períneos alheios apenas para treinamento, é antiético, fere os princípios básicos do cuidado, é contra as evidências e o conhecimento pode ser perfeitamente adquirido de outras maneiras menos nocivas (3,5,6).


1. Knobel R, Takemoto M, Jones R, Amorim M. Avoiding episiotomy is the best strategy to prevent OASIS: response to the article “Episiotomy characteristics and risks for obstetric anal sphincter injuries: a case-control study”. BJOG. 2012;119(9):1148. doi:10.1111/j.1471-0528.2012.03391.x.
2. Carroli G, Mignini L. Episiotomy for vaginal birth. Cochrane Database Syst Rev. 2009;(1):CD000081.
3. Wu LC, Lie D, Malhotra R, et al. What factors influence midwives’ decision to perform or avoid episiotomies? A focus group study. Midwifery. 2013;29(8):943–9. doi:10.1016/j.midw.2012.11.017.
4. Dahlen HG, Homer CSE. What are the views of midwives in relation to perineal repair? Women Birth. 2008;21(1):27–35. doi:10.1016/j.wombi.2007.12.003.
5. Mahmud A, Kettle C, Bick D, et al. The development and validation of an internet-based training package for the management of perineal trauma following childbirth: MaternityPEARLS. Postgrad Med J. 2013;89(1053):382–9. doi:10.1136/postgradmedj-2012-131491.
6. Selo-Ojeme D, Ojutiku D, Ikomi A. Impact of a structured, hands-on, surgical skills training program for midwives performing perineal repair. Int J Gynaecol Obstet. 2009;106(3):239–41. doi:10.1016/j.ijgo.2009.04.014.