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6 de mar. de 2015

"Tivemos que importar um congresso internacional (BirthBrazil), e tivemos que importar um obstetra pesquisador Israelense que vive na Alemanha, para ele dizer aos nossos obstetras que não é para fazer episiotomia, e que o maior risco de danos perineais graves vem justamente das episiotomias. Mesmo que a apresentação dele tenha sido apoiada no trabalho de Melania Amorim e colegas... Precisamos do gringo vir aqui, para os nossos obstetras acreditarem. E capaz de ainda não terem acreditado, visse??"

Por Ana Cristina Duarte, no Facebook dela (aqui).

4 de fev. de 2015

Até quando nossas vaginas serão cortadas?

Por: Kalu Brum, em Olhar Mamífero.


Não há maneira mais eficiente de manter uma sociedade alienada do que fazer as mulheres ficarem distraídas com seus próprios corpos. Ou diria, vaginas?

Recentemente vi uma matéria que dizia que as cirurgias plásticas agora entraram no mundo das vaginas.

Se existe um lugar que eu acho que não cabe tesouras e agulhas desnecessárias é a vagina!

Segundo o relatório da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica, o Brasil lidera o ranking das labioplastias.

Acredite ou não mas 9.043 brasileiras se submeteram a cirurgia para corrigir o que consideravam imperfeições nos lábios vaginais. O número corresponde a mais de 16% do total de labioplastias no mundo.

Desses procedimentos a grande maioria é por razões meramente estéticas.

Nossas vaginas, há tempos, tem sido infantilizadas. Eu penso que parte dessa infantilização se deu por causa do parto.

Enquanto as partes eram olhadas por mulheres, amparadas por mulheres, os pêlos, estavam lá, para mostrar nossa parte selvagem. Depois se foram os pêlos para que os médicos pudessem fazer uma entrada limpa, infantilizando até no chamado (mãezinha) as partes íntimas. Uma vagina infantil para ser cortada.

Foi nesta época em que a episiotomia ganhou espaço deixando marcas no períneo (na alma, na moral) como castigo por ser mulher e querer parir.

A tricotomia (raspagem dos pêlos vaginais) e a episiotomia (corte do períneo) são práticas corriqueiras em quase 90% dos míseros partos normais que temos no Brasil (48%). Práticas consideradas hoje como parte da gama de violência obstétrica em que 1 a cada 4 mulheres, segundo a Fundação Clóvis Salgado sofrem para terem seus filhos.

Décadas mais tarde a vagina foi então aposentada do divino ato de dar a luz para que as cirurgias, que as brasileiras tanto amam, entrassem em cena.

As cesáreas passaram a ser feitas muitas vezes com a lipoaspiração e plástica abdominal. Fortalecendo o culto alienação através da distração com o próprio umbigo (ou vagina e peitos).

Um estudo publicado na revista Annals of Plastic Surgery sugeriu que entre as mulheres que receberam implantes cosméticos de seio, o índice de suicídio era três vezes maior do que a média. O estudo examina as causas de morte entre 3.257 mulheres suecas que realizaram implantes de seios entre 1965 e 1993.

O estudo tenta provar que as não é o implante nos seios que faz as mulheres se suicidarem. Mas sim as mulheres que fazem a cirurgia possuem transtornos.

A não aceitação de si mesma é, talvez a grande lacuna que o mercado procura usar para manter as mulheres alheias de si mesmas e de seus processos.

Apesar de não ter achado nenhum artigo que diga que os implantes de silicone não atrapalhem a amamentação, minha experiência empírica é outra: conheço muitas mulheres que tiveram muito problema com amamentação devido ao silicone.

Se os seios servem apenas para adoração masculina, agora as mulheres estão querendo padronizar suas vaginas para que fiquem esteticamente perfeitas.

Uma justificativa comum para opção da cesárea é o tal medo da Perereca Frouxa.

Mas quando o bebê nasce ele rasga tudo?

Podem acontecer laceração em caso de saída muito rápida do bebê (meu caso), cicatrizes de episiotomias anteriores, já que é uma região de fibrose e fragilidade dos tecidos, com potencial maior para rupturas.

Aí você pode se perguntar: não seria melhor fazer uma episiotomia para evitar laceração? Você tem 60% de chance de não ter laceração nenhuma e que seu períneo fique íntegro. Ou, se houver lacerações, elas podem cicatrizar melhor do que uma episio.

Quando não há episiotomia no Parto Normal existe a possibilidade de acontecer as lacerações espontâneas de primeiro grau (lesão de pele e mucosa) e mais dificilmente as de segundo grau, (lesão de músculos). As estatística apontam que as lacerações de segundo grau ( semelhantes as episios) tem uma melhor cicatrização e menos dor do que as episios.

E a tal perereca frouxa?

A pereca frouxa tem pouca ligação com o parto e muito mais com a gestação. O peso que o neném exerce no assoalho pélvico, de constituição física e de hábitos que a mulher tenha podem levar a uma perda da musculatura.


Ao invés de mutilarmos nossas vaginas para que fiquem esteticamente bonitas, porque não exercitá-las, usá-las para que tenhamos muito prazer, para que possa exercer sua deliciosa função de se abrir para a chegada de uma criança.

Por que não depilá-la (ou não), permitir que seja lambida, livre. Sem cicatrizes de partos violentos ou ausentes de uso pelo não parto.

Que possamos olhar além de nossas vaginas e lutar pelo que realmente faz sentido: o direito de parir e usar a vagina como a gente bem entender, sem tabus ou mutilações.

Um salve para as vaginas reais e seus lábios de todas as formas. Pelo fim da necessidade de atender esteticamente aos desejos masculinos. Porque a beleza de ser mulher é SER.

FONTE: http://vilamamifera.com/olharmamifero/ate-quando-nossas-vaginas-serao-cortadas/


8 de dez. de 2014

Lacerações, parto e episiotomia

"Qualquer mulher que tenha um parto vaginal tem risco de uma laceração perineal, incluindo as chamadas lacerações graves (3º ou 4º graus). Esse é um fato incontestável. Durante anos se praticou episiotomia porque se acreditava, ainda que empiricamente, que haveria proteção do períneo contra esses desfechos, se a incisão fosse realizada (entre outros "benefícios" não comprovados da técnica).

No entanto, estudos controlados realizados desde a década de 80 até os dias de hoje vem mostrando cada vez mais que as lesões mais graves são mais frequentes quando a intervenção é realizada, e não o contrário. Em outras palavras, a episiotomia não só NÃO protegeria o períneo, como FACILITARIA a ocorrência de COMPLICAÇÕES.

Da mesma forma, o parto instrumental (fórcipe ou vácuo), quando associado à episiotomia, também resulta em lacerações mais graves.

Estatisticamente, portanto, sempre é POSSÍVEL que uma mulher tenha lacerações de graus variados durante partos vaginais, porém as lacerações mais graves estão mais frequentemente associadas às episiotomias e aos partos instrumentais.





(Por CarlaAndreucci Polido no Facebook)

28 de nov. de 2014

Sobre necessidade real indicações reais, científicas, de fazer episiotomia ou não ou deve-se ou não cortar o períneo da mulherada no parto vaginal?


Com essa discussão toda sobre estudar/ aprender episiotomia, fui fazer uma rápida busca no pub med.

Embora eu e as evidências estejamos convencidas que episiotomia de rotina deve ser abolida (1,2), e eu esteja convencida de que NUNCA (ou quase nunca) é necessária (1), há um hiato no conhecimento atual sobre em que momentos esse procedimento poderia ser necessário.

Um estudo interessante que avaliou as razões por que uma parteira faria uma episiotomia, aventou a necessidade de treino como uma das respostas (3). Não consigo entender para que um profissional deve ser treinado e realizar um procedimento que está caindo em desuso.

Alguns estudos mostram que Midwifes podem ter dificuldades em realizar suturas perineais. Que pode haver uma lacuna de conhecimento que deveria ser preenchida de técnicas cirúrgicas para sutura. Isso seria importante para garantir a continuidade do cuidado, assim, as mulheres não precisariam ser transferidas para cuidados médicos apenas para sutura (4).

Para melhorar esse conhecimento, um bom conhecimento de anatomia e de técnica de anestesia e sutura podem melhorar significativamente a capacidade de parteiras de suturarem períneos. Propõe-se algumas intervenções, como oficinas de treinamento e pacotes de treinamento (incluindo ensino à distância) (5,6).

Assim, não há necessidade de cortar períneos alheios apenas para treinamento, é antiético, fere os princípios básicos do cuidado, é contra as evidências e o conhecimento pode ser perfeitamente adquirido de outras maneiras menos nocivas (3,5,6).


1. Knobel R, Takemoto M, Jones R, Amorim M. Avoiding episiotomy is the best strategy to prevent OASIS: response to the article “Episiotomy characteristics and risks for obstetric anal sphincter injuries: a case-control study”. BJOG. 2012;119(9):1148. doi:10.1111/j.1471-0528.2012.03391.x.
2. Carroli G, Mignini L. Episiotomy for vaginal birth. Cochrane Database Syst Rev. 2009;(1):CD000081.
3. Wu LC, Lie D, Malhotra R, et al. What factors influence midwives’ decision to perform or avoid episiotomies? A focus group study. Midwifery. 2013;29(8):943–9. doi:10.1016/j.midw.2012.11.017.
4. Dahlen HG, Homer CSE. What are the views of midwives in relation to perineal repair? Women Birth. 2008;21(1):27–35. doi:10.1016/j.wombi.2007.12.003.
5. Mahmud A, Kettle C, Bick D, et al. The development and validation of an internet-based training package for the management of perineal trauma following childbirth: MaternityPEARLS. Postgrad Med J. 2013;89(1053):382–9. doi:10.1136/postgradmedj-2012-131491.
6. Selo-Ojeme D, Ojutiku D, Ikomi A. Impact of a structured, hands-on, surgical skills training program for midwives performing perineal repair. Int J Gynaecol Obstet. 2009;106(3):239–41. doi:10.1016/j.ijgo.2009.04.014.

17 de nov. de 2014

Episiotomia "É só um cortezinho"

Cartilha sobre episiotomia (clique aqui para ver as cartilhas, esta e outras!)



Produzida pela Parto do Princípio e pelo Fórum de Mulheres do Espírito Santo com apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos e Associação de Mulheres Unidas da Serra.

Esta publicação está disponível para re-impressão, reprodução parcial ou reprodução total nos termos da Licença Creative Commons e também está aberta para receber apoios para novas re-impressões.

Sugestão para re-impressão:
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  4x4 cores, escala CMYK
  dobra miolo, alceado, grampo canoa

Para apoios com inclusão de logomarca ou re-impressão, entre em contato com criskondo@partodoprincipio.com.br.

11 de mar. de 2014

DOZE ANOS SEM EPISIOTOMIAS E A CENSURA DO FACEBOOK

Por Melania Amorim

"Ontem tive o dissabor de receber mensagem do Facebook me avisando ter removido o meu post em que comemorava um fato para mim muito marcante, DOZE ANOS sem realizar episiotomias, e a foto com que ilustrava a campanha "TIRE A MÃO DAÍ", aliás uma foto já bastante divulgada nesta e em outras redes sociais, inclusive no meu blog. Mais ainda, o Facebook, atendendo decerto à denúncia de algum puritano hipócrita e/ou episiotomista confesso e/ou inimigo da causa da Humanização do Parto, bloqueou o meu acesso por 24 horas.

Que a foto é forte e chocante, CLARO! Assim também o é a episiotomia e mais chocante que a foto é saber que diariamente milhares de mulheres em nosso País estão sendo submetidas rotineiramente a um procedimento cuja falta de efetividade para facilitar o parto e proteger o assoalho pélvico já foi demonstrada e cujos efeitos deletérios já foram bastas vezes demonstrados. EPISIOTOMIA DE ROTINA É VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA! E mais ainda, eu defendo que o corte mutilador, a incisão cruenta e ampla do períneo, NÃO SEJA REALIZADA NUNCA! Não entendo por que um procedimento é introduzido sem a menor evidência na prática médica e agora nós, mulheres, é que temos que apresentar evidências de que essa prática é desnecessária e prejudicial. Mas enfim, as evidências estão aí se somando, em breve teremos ainda mais argumentos, mas é importante salientar: já SOBRAM EVIDÊNCIAS de que não se deve realizar episiotomia de rotina e infelizmente nós continuamos sendo cortadas, sem que sequer nos comuniquem ou consultem.

Posto novamente, agora como nota, o meu texto do dia 8 de março de 2014 e, para evitar que novamente me censurem, em vez da foto censurada indico links para o meu blog, onde além de fotos apresento a história da episiotomia, a voz das mulheres e as evidências científicas disponíveis sobre o procedimento. Boa leitura!

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Em 8 de março de 2014 Melania Amorim escreveu:

Quase meia-noite, em breve estarei completando este marco que representa para mim uma grande conquista e superação: 12 anos SEM episiotomias! Em uma sexta-feira, dia 8 de março de 2002, eu realizei a minha última episiotomia, em uma época em que minha taxa pessoal de episiotomias já era de 5%... Essa última, eu a acreditei necessária, certamente não a faria hoje em dia.

Para quem teve uma educação médica dentro de outro paradigma e passou anos acreditando que era necessário cortar períneos para facilitar o parto e (paradoxalmente) preservar o assoalho pélvico feminino, para quem efetuou milhares de vezes esse procedimento, foi uma transformação e tanto...

... mas ainda estou em dívida com as mulheres. Somente pedir desculpas não adianta, portanto transformo esse débito em compromisso, na luta para evitar o corte mutilador, no protesto contra as episiotomias de rotina, uma das formas de violência obstétrica infelizmente ainda muito comum em nosso País, não apenas pelo ato em si, mas pelo que ele significa, a crença de que o corpo feminino é essencialmente defectivo e depende da intervenção médica para parir.

Neste 8 de março eu prossigo em campanha PELA ABOLIÇÃO DAS EPISIOTOMIAS DA PRÁTICA OBSTÉTRICA!

TIRE A MÃO DAÍ!





29 de mar. de 2013

Qualquer forma de violência é condenável, por Ana Cristina Duarte


Qualquer forma de violência é condenável.

Uma das piores formas de violência que eu conheço é a violência obstétrica, pelas seguintes razões:

- Atinge dois seres que estão vulneráveis, e ao mesmo tempo: a mãe e o bebê. Às vezes atinge também o acompanhante, em geral o pai do bebê.

- É perpetrada por um grupo que tem o domínio (equipe profissional) em seu próprio campo de batalha (o hospital, a sala de parto).

- Muitas vezes não tem testemunha (a equipe se cala, o acompanhante muitas vezes foi impedido de assistir o parto).

- Não é reconhecida pela sociedade, que entende que os profissionais sempre estavam fazendo o seu melhor e que provavelmente a mulher é quem não colaborou/se comportou.

- Tem quase 100% de impunidade, pois as poucas denúncias caem no buraco negro dos conselhos profissionais e sindicâncias intermináveis.

- Pode causar graves sequelas físicas e psicológicas e, em raros casos, a morte.

- Atinge um número absurdo de mulheres em nosso país, se considerarmos todas as suas formas. Podemos estar chegando perto de 100% de mulheres que foram ou serão submetidas à violência obstétrica durante seus partos.



São atos de violência obstétrica:

- Impedir que a mulher seja acompanhada por alguém de sua preferência, familiar ou de seu círculo social.

- Tratar uma mulher em trabalho de parto de forma agressiva, não empática, grosseira, zombeteira ou de qualquer forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido.

- Tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, tratando-a como incapaz.

- Submeter a mulher a procedimentos dolorosos desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas.

- Impedir a mulher de se comunicar com o “mundo exterior”, tirando-lhe a liberdade de telefonar, usar celular, caminhar até a sala de espera etc.

- Fazer graça ou recriminar por qualquer característica ou ato físico como, por exemplo, obesidade, pelos, estrias, evacuação etc.

- Fazer graça ou recriminar por qualquer comportamento como gritar, chorar, ter medo, vergonha etc.

- Dar bronca, ameaçar, chantagear ou cometer assédio moral com qualquer mulher/casal por qualquer decisão que ela possa ter tomado, quando essa decisão for contra as crenças, fé ou valores morais de qualquer pessoa da equipe, por exemplo: não ter feito ou ter feito inadequadamente o pré natal, ter muitos filhos, ser mãe jovem (ou o contrário), ter tido ou tentado um parto em casa, ter tido ou tentado um parto desassistido, ter tentado ou ter efetuado um aborto, ter atrasado a ida ao hospital, não ter informado qualquer dado, seja intencional, seja involuntariamente.

- Fazer qualquer procedimento sem explicar antes o que é, por que está sendo oferecido e, acima de tudo, SEM PEDIR PERMISSÃO.

- Submeter a mulher a mais de um exame de toque (ainda assim quando estritamente necessário), especialmente por mais de um profissional, e sem o consentimento, mesmo que para ensino e treinamento de alunos.

- Dar hormônios para tornar mais rápido e intenso um trabalho de parto que está evoluindo normalmente.

- Cortar a vagina (episiotomia) da mulher quando não há necessidade (discute-se a real necessidade em mais que 5 a 10% dos partos).

- Dar um ponto na sutura final da vagina de forma a deixá-la menor e mais apertada para aumentar o prazer do cônjuge (“ponto do marido”).

- Subir na barriga da mulher para expulsar o feto (manobra de Kristeler).

- Submeter a mulher e/ou o bebê a procedimentos feitos exclusivamente para treinar estudantes e residentes.

- Permitir a entrada de pessoas estranhas ao atendimento para “ver o parto”, quer sejam estudantes, residentes ou profissionais de saúde, principalmente sem o consentimento prévio da mulher e de seu acompanhante com a chance clara e justa de dizer não.

- Fazer uma mulher acreditar que precisa de uma cesariana quando ela não precisa, utilizando de riscos imaginários ou hipotéticos não comprovados (o bebê é grande, a bacia é pequena, o cordão está enrolado).

- Submeter uma mulher a uma cesariana desnecessária, sem a devida explicação dos riscos que ela e seu bebê estão correndo (complicações da cesárea, da gravidez subsequente, risco de prematuridade do bebê, complicações a médio e longo prazo para mãe e bebê).

- Submeter bebês saudáveis à aspiração de rotina, injeções e procedimentos na primeira hora de vida, antes que tenham sido colocados em contato pele a pele e de terem tido a chance de mamar.

- Separar bebês saudáveis de suas mães sem necessidade clínica.

Se você, mulher, foi submetida a qualquer um desses atos de violência, denuncie. Não permita que a violência se perpetue. Será necessário que milhares de mulheres se ergam e digam basta, até que as mulheres parem de sofrer. O parto é um momento de alegria, de prazer. A dor fisiológica é suportável. Mas a dor da violência, essa pode se tornar insuportável e deixar profundas marcas.



Para denunciar:

1) Exija seu prontuário no hospital (ele é um documento seu, que fica depositado no hospital, mas as cópias devem ser entregues sem questionamento e custos).

2) Escreva uma carta contando em detalhes que tipo de violência você sofreu e como se sentiu.

—> Se o seu parto foi no SUS, envie a carta para a Ouvidoria do Hospital com cópia para a Diretoria Clínica, para a Secretaria Municipal de Saúde e para a Secretaria Estadual de Saúde.

—> Se o seu parto foi em hospital da rede privada, envie sua carta para a Diretoria Clínica do Hospital, com cópia para a Diretoria do seu Plano de Saúde, para a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e para as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde. Existem outras instâncias de denúncia, dependendo da gravidade da violência recebida, mas um advogado deveria ser consultado.

(1 de março de 2013)

28 de mar. de 2013


Eu sinto tristeza e dor até hoje quando leio um relato, vejo uma foto sobre episiotomia... Foi uma das experiências mais traumáticas que passei na minha vida... A episio, e a Kristeller...
Foram duas coisas q eu tinha visto pouco, tinha lido pouco... Não fazia ideia SINCERAMENTE de como eram, o que eu sentiria, o que ficaria em mim pra sempre... a sensação é inesquecível, e ruim demais.
Se um médico soubesse o que uma mulher pode sentir pra sempre quando ele faz ou manda fazer uma dessas duas coisas, talvez pensasse antes de fazer/ou mandar fazer... Isso, claro, se restasse nele ainda algum traço de humanidade e compaixão, ou de respeito.
Aliás, me recuso a curtir.





Do Núcleo Carioca de Doulas: Dar voz às mulheres que se sentiram violentadas, mutiladas e humilhadas durante o parto é uma questão de Direitos Humanos. Parabéns ao Projeto 1:4 e à Carla Raiter - Fotografia por contribuir para dar visibilidade a absurdos como este.
[Na imagem, depoimento de mulher que sofreu uma episiotomia - corte no vagina/períneo durante o parto, sem consentimento e sem necessidade - e foto da cicatriz que carregará para sempre, lembrando da violência que sofreu.]


Projeto 1:4
Retratos da violência obstétrica
www.carlaraiter.com/1em4

26 de mar. de 2013

25 de mar. de 2013

"Eu faço parto normal, mas só com o 'piquezinho'.


É pra te ajudar, mãezinha."





22 de nov. de 2012

La Comunidad de Madrid, condenada a pagar a una mujer una indemnización de 200.000 euros por las secuelas que le quedaron tras practicársele una episiotomía durante el parto en el Hospital Gregorio Marañón


Tras inducirle el parto, le realizaron fórceps y una episiotomía que le cortó el esfínter anal, produciéndole una incontinencia fecal y de gases que la incapacita para la vida social, laboral y sexual y para tener más hijos. La mujer, que tenía 29 años en el momento del parto, sufre también un cuadro de patología psiquiátrica. Los hechos ocurrieron en el Hospital Gregorio Marañón. Sí, ese en el que se rodó el infame programa “Baby Boom”, una exhibición sin límites de mala praxis socio-sanitaria y manifiesto desprecio hacia las mujeres durante el parto. El Jefe del Servicio de Ginecología de ese hospital es el Dr. Ángel Aguarón.

El Tribunal Supremo ha confirmado la sentencia del Tribunal Superior de Justicia de Madrid frente al recurso de la Comunidad, cuyo perito caracterizaba la lesión de laepisiotomía como algo inherente “al proceso mismo del parto y no implica una mala praxis médica”.

Hace ya más de 40 años que la evidencia científica ha demostrado que la episiotomía son muy lesivas para las estructuras del suelo pélvico y no deben realizarse más que por motivos muy justificados. Sin embargo, es común que sus efectos dañinos se minimicen por médicos, inspectores y peritos. Actualmente, el uso de ventosa en lugar del fórceps puede evitar lesiones como las que sufre la demandante, e incluso es posible la extracción con fórceps sin episiotomía. En cualquier caso, sería deseable que se previniesen situaciones de riesgo reduciendo el número de partos inducidos, el uso de oxitocina sintética, el potro obstétrico y los pujos dirigidos.

Para terminar, no nos llama la atención que los servicios jurídicos de la C.A.M. recurran temerariamente todas las sentencias favorables a los pacientes (de los pocos que llegan a pleitear después de la subida de las tasas judiciales, el coste del proceso, la espada de Damocles de las costas, y de que el Consejo Consultivo desestime el 99% de las reclamaciones de responsabilidad patrimonial o intente zanjar el asunto con indemnizaciones cuya nimiedad ofende.

Esta sentencia es de las que te hace recuperar la fe en el sistema judicial: después de leer las declaraciones de los peritos de la Administración intentado colar las lesiones de la mujer como propios del parto vaginal, una aprecia enormemente la agudeza del tribunal, y su no haberse dejado timar.

Francisca Fernández Guillén
Abogada especializada en derechos del paciente


Para leer la sentencia completa pincha aquí
Más información sobre aspectos legales y maternidad en nuestro apartado "Conoce tus derechos. Área legal".