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21 de abr. de 2015

Episiotomia: pelo fim do corte mutilador




"Inauguro esta seção do meu blog com a foto da cicatriz de uma episiotomia realizada há 17 anos, no contexto de um parto violento, em que a paciente chegou com colo fechado, recebeu ocitocina sem indicação, teve posterior dilatação forçada do colo e comandos de puxos durante o período expulsivo. Como complicações, lesão de bexiga e laceração de reto (lesão perineal de quarto grau), teve alta sondada e terríveis sequelas em longo prazo. Estenose do introito vaginal (visível na foto) pela retração cicatricial, eu tive que usar espéculo de virgem para examiná-la e fiz o toque unidigital, sempre explicando passo-a-passo cada etapa. Aos prantos ela me contou que depois desse que foi o seu primeiro parto, nunca mais teve relações sexuais sem sentir dor (dispareunia), e a dor não melhorou depois dos partos subsequentes, em que também teve o períneo cortado.

A história me emocionou bastante e eu perguntei se poderia fotografar e divulgar a foto para a campanha que estamos fazendo PELO FIM DO CORTE MUTILADOR, EPISIOTOMIA NUNCA MAIS! Choramos juntas e ela me disse que se a divulgação da foto pudesse ajudar a sensibilizar mentes e corações tanto de obstetras como das mulheres para evitar que outras venham a sofrer o mesmo problema, ela autorizaria a divulgação com muito gosto, porque isso traria uma espécie de compensação para todo o seu sofrimento.

Obrigada, Maria*, por ressignificar sua dor partilhando a história conosco.

Quem tiver fotos e relatos semelhantes, por favor envie para estudamelania@gmail.com.

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* os nomes serão simbolicamente representados por Maria, para resguardar o sigilo e a confidencialidade das entrevistadas."


17 de nov. de 2014

Episiotomia "É só um cortezinho"

Cartilha sobre episiotomia (clique aqui para ver as cartilhas, esta e outras!)



Produzida pela Parto do Princípio e pelo Fórum de Mulheres do Espírito Santo com apoio do Fundo Brasil de Direitos Humanos e Associação de Mulheres Unidas da Serra.

Esta publicação está disponível para re-impressão, reprodução parcial ou reprodução total nos termos da Licença Creative Commons e também está aberta para receber apoios para novas re-impressões.

Sugestão para re-impressão:
  impressão offset
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  formato aberto 420 X 148 mm
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  4x4 cores, escala CMYK
  dobra miolo, alceado, grampo canoa

Para apoios com inclusão de logomarca ou re-impressão, entre em contato com criskondo@partodoprincipio.com.br.

11 de mar. de 2014

DOZE ANOS SEM EPISIOTOMIAS E A CENSURA DO FACEBOOK

Por Melania Amorim

"Ontem tive o dissabor de receber mensagem do Facebook me avisando ter removido o meu post em que comemorava um fato para mim muito marcante, DOZE ANOS sem realizar episiotomias, e a foto com que ilustrava a campanha "TIRE A MÃO DAÍ", aliás uma foto já bastante divulgada nesta e em outras redes sociais, inclusive no meu blog. Mais ainda, o Facebook, atendendo decerto à denúncia de algum puritano hipócrita e/ou episiotomista confesso e/ou inimigo da causa da Humanização do Parto, bloqueou o meu acesso por 24 horas.

Que a foto é forte e chocante, CLARO! Assim também o é a episiotomia e mais chocante que a foto é saber que diariamente milhares de mulheres em nosso País estão sendo submetidas rotineiramente a um procedimento cuja falta de efetividade para facilitar o parto e proteger o assoalho pélvico já foi demonstrada e cujos efeitos deletérios já foram bastas vezes demonstrados. EPISIOTOMIA DE ROTINA É VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA! E mais ainda, eu defendo que o corte mutilador, a incisão cruenta e ampla do períneo, NÃO SEJA REALIZADA NUNCA! Não entendo por que um procedimento é introduzido sem a menor evidência na prática médica e agora nós, mulheres, é que temos que apresentar evidências de que essa prática é desnecessária e prejudicial. Mas enfim, as evidências estão aí se somando, em breve teremos ainda mais argumentos, mas é importante salientar: já SOBRAM EVIDÊNCIAS de que não se deve realizar episiotomia de rotina e infelizmente nós continuamos sendo cortadas, sem que sequer nos comuniquem ou consultem.

Posto novamente, agora como nota, o meu texto do dia 8 de março de 2014 e, para evitar que novamente me censurem, em vez da foto censurada indico links para o meu blog, onde além de fotos apresento a história da episiotomia, a voz das mulheres e as evidências científicas disponíveis sobre o procedimento. Boa leitura!

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Em 8 de março de 2014 Melania Amorim escreveu:

Quase meia-noite, em breve estarei completando este marco que representa para mim uma grande conquista e superação: 12 anos SEM episiotomias! Em uma sexta-feira, dia 8 de março de 2002, eu realizei a minha última episiotomia, em uma época em que minha taxa pessoal de episiotomias já era de 5%... Essa última, eu a acreditei necessária, certamente não a faria hoje em dia.

Para quem teve uma educação médica dentro de outro paradigma e passou anos acreditando que era necessário cortar períneos para facilitar o parto e (paradoxalmente) preservar o assoalho pélvico feminino, para quem efetuou milhares de vezes esse procedimento, foi uma transformação e tanto...

... mas ainda estou em dívida com as mulheres. Somente pedir desculpas não adianta, portanto transformo esse débito em compromisso, na luta para evitar o corte mutilador, no protesto contra as episiotomias de rotina, uma das formas de violência obstétrica infelizmente ainda muito comum em nosso País, não apenas pelo ato em si, mas pelo que ele significa, a crença de que o corpo feminino é essencialmente defectivo e depende da intervenção médica para parir.

Neste 8 de março eu prossigo em campanha PELA ABOLIÇÃO DAS EPISIOTOMIAS DA PRÁTICA OBSTÉTRICA!

TIRE A MÃO DAÍ!





29 de mar. de 2013

Qualquer forma de violência é condenável, por Ana Cristina Duarte


Qualquer forma de violência é condenável.

Uma das piores formas de violência que eu conheço é a violência obstétrica, pelas seguintes razões:

- Atinge dois seres que estão vulneráveis, e ao mesmo tempo: a mãe e o bebê. Às vezes atinge também o acompanhante, em geral o pai do bebê.

- É perpetrada por um grupo que tem o domínio (equipe profissional) em seu próprio campo de batalha (o hospital, a sala de parto).

- Muitas vezes não tem testemunha (a equipe se cala, o acompanhante muitas vezes foi impedido de assistir o parto).

- Não é reconhecida pela sociedade, que entende que os profissionais sempre estavam fazendo o seu melhor e que provavelmente a mulher é quem não colaborou/se comportou.

- Tem quase 100% de impunidade, pois as poucas denúncias caem no buraco negro dos conselhos profissionais e sindicâncias intermináveis.

- Pode causar graves sequelas físicas e psicológicas e, em raros casos, a morte.

- Atinge um número absurdo de mulheres em nosso país, se considerarmos todas as suas formas. Podemos estar chegando perto de 100% de mulheres que foram ou serão submetidas à violência obstétrica durante seus partos.



São atos de violência obstétrica:

- Impedir que a mulher seja acompanhada por alguém de sua preferência, familiar ou de seu círculo social.

- Tratar uma mulher em trabalho de parto de forma agressiva, não empática, grosseira, zombeteira ou de qualquer forma que a faça se sentir mal pelo tratamento recebido.

- Tratar a mulher de forma inferior, dando-lhe comandos e nomes infantilizados e diminutivos, tratando-a como incapaz.

- Submeter a mulher a procedimentos dolorosos desnecessários ou humilhantes, como lavagem intestinal, raspagem de pelos pubianos, posição ginecológica com portas abertas.

- Impedir a mulher de se comunicar com o “mundo exterior”, tirando-lhe a liberdade de telefonar, usar celular, caminhar até a sala de espera etc.

- Fazer graça ou recriminar por qualquer característica ou ato físico como, por exemplo, obesidade, pelos, estrias, evacuação etc.

- Fazer graça ou recriminar por qualquer comportamento como gritar, chorar, ter medo, vergonha etc.

- Dar bronca, ameaçar, chantagear ou cometer assédio moral com qualquer mulher/casal por qualquer decisão que ela possa ter tomado, quando essa decisão for contra as crenças, fé ou valores morais de qualquer pessoa da equipe, por exemplo: não ter feito ou ter feito inadequadamente o pré natal, ter muitos filhos, ser mãe jovem (ou o contrário), ter tido ou tentado um parto em casa, ter tido ou tentado um parto desassistido, ter tentado ou ter efetuado um aborto, ter atrasado a ida ao hospital, não ter informado qualquer dado, seja intencional, seja involuntariamente.

- Fazer qualquer procedimento sem explicar antes o que é, por que está sendo oferecido e, acima de tudo, SEM PEDIR PERMISSÃO.

- Submeter a mulher a mais de um exame de toque (ainda assim quando estritamente necessário), especialmente por mais de um profissional, e sem o consentimento, mesmo que para ensino e treinamento de alunos.

- Dar hormônios para tornar mais rápido e intenso um trabalho de parto que está evoluindo normalmente.

- Cortar a vagina (episiotomia) da mulher quando não há necessidade (discute-se a real necessidade em mais que 5 a 10% dos partos).

- Dar um ponto na sutura final da vagina de forma a deixá-la menor e mais apertada para aumentar o prazer do cônjuge (“ponto do marido”).

- Subir na barriga da mulher para expulsar o feto (manobra de Kristeler).

- Submeter a mulher e/ou o bebê a procedimentos feitos exclusivamente para treinar estudantes e residentes.

- Permitir a entrada de pessoas estranhas ao atendimento para “ver o parto”, quer sejam estudantes, residentes ou profissionais de saúde, principalmente sem o consentimento prévio da mulher e de seu acompanhante com a chance clara e justa de dizer não.

- Fazer uma mulher acreditar que precisa de uma cesariana quando ela não precisa, utilizando de riscos imaginários ou hipotéticos não comprovados (o bebê é grande, a bacia é pequena, o cordão está enrolado).

- Submeter uma mulher a uma cesariana desnecessária, sem a devida explicação dos riscos que ela e seu bebê estão correndo (complicações da cesárea, da gravidez subsequente, risco de prematuridade do bebê, complicações a médio e longo prazo para mãe e bebê).

- Submeter bebês saudáveis à aspiração de rotina, injeções e procedimentos na primeira hora de vida, antes que tenham sido colocados em contato pele a pele e de terem tido a chance de mamar.

- Separar bebês saudáveis de suas mães sem necessidade clínica.

Se você, mulher, foi submetida a qualquer um desses atos de violência, denuncie. Não permita que a violência se perpetue. Será necessário que milhares de mulheres se ergam e digam basta, até que as mulheres parem de sofrer. O parto é um momento de alegria, de prazer. A dor fisiológica é suportável. Mas a dor da violência, essa pode se tornar insuportável e deixar profundas marcas.



Para denunciar:

1) Exija seu prontuário no hospital (ele é um documento seu, que fica depositado no hospital, mas as cópias devem ser entregues sem questionamento e custos).

2) Escreva uma carta contando em detalhes que tipo de violência você sofreu e como se sentiu.

—> Se o seu parto foi no SUS, envie a carta para a Ouvidoria do Hospital com cópia para a Diretoria Clínica, para a Secretaria Municipal de Saúde e para a Secretaria Estadual de Saúde.

—> Se o seu parto foi em hospital da rede privada, envie sua carta para a Diretoria Clínica do Hospital, com cópia para a Diretoria do seu Plano de Saúde, para a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e para as Secretarias Municipal e Estadual de Saúde. Existem outras instâncias de denúncia, dependendo da gravidade da violência recebida, mas um advogado deveria ser consultado.

(1 de março de 2013)

28 de mar. de 2013


Eu sinto tristeza e dor até hoje quando leio um relato, vejo uma foto sobre episiotomia... Foi uma das experiências mais traumáticas que passei na minha vida... A episio, e a Kristeller...
Foram duas coisas q eu tinha visto pouco, tinha lido pouco... Não fazia ideia SINCERAMENTE de como eram, o que eu sentiria, o que ficaria em mim pra sempre... a sensação é inesquecível, e ruim demais.
Se um médico soubesse o que uma mulher pode sentir pra sempre quando ele faz ou manda fazer uma dessas duas coisas, talvez pensasse antes de fazer/ou mandar fazer... Isso, claro, se restasse nele ainda algum traço de humanidade e compaixão, ou de respeito.
Aliás, me recuso a curtir.





Do Núcleo Carioca de Doulas: Dar voz às mulheres que se sentiram violentadas, mutiladas e humilhadas durante o parto é uma questão de Direitos Humanos. Parabéns ao Projeto 1:4 e à Carla Raiter - Fotografia por contribuir para dar visibilidade a absurdos como este.
[Na imagem, depoimento de mulher que sofreu uma episiotomia - corte no vagina/períneo durante o parto, sem consentimento e sem necessidade - e foto da cicatriz que carregará para sempre, lembrando da violência que sofreu.]


Projeto 1:4
Retratos da violência obstétrica
www.carlaraiter.com/1em4

25 de mar. de 2013

"Eu faço parto normal, mas só com o 'piquezinho'.


É pra te ajudar, mãezinha."